12 April 2011

ATO LXV (Trair faz parte da natureza das pessoas que não conseguem amar...)

Elas sabem muito bem como seduzir e gostam de se sentir amadas, mas só amam a si mesmas. Inconsequentes, não percebem que ao trair causam sofrimento. Algumas de suas vítimas ficam tão aturdidas que não se separam, mesmo sabendo que foram enganadas. Precisam de um tempo para desfazer a imagem ilusória que tinham do parceiro ou da parceira desleal.


De repente, veio a certeza: Aquela pessoa que ele amava, com quem já estava há tantos anos, em quem confiava, com quem tinha ótimo sexo, que era carinhosa, confidente e tudo o mais a traia! Ele já desconfiava das viagens, telefonemas escondidos, presentes inesperados, novas ideias para o sexo. Mas não queria acreditar. Afinal, seria muita falta de caráter de uma pessoa que tinha a sua confiança e dedicação e de quem ele se orgulhava. Além de se sentir enganada, via desmoronar a imagem que tinha da companheira.

Trair é natural para algumas pessoas. Elas não percebem que com isso destroem amores verdadeiros e ferem quem não merece. Trair faz parte da natureza de algumas pessoas que não conseguem amar. Como o aventureiro italiano Giacomo Casanova (1725-1798) ou o Don Juan da literatura, elas seduzem vários ou várias, mas não são fiéis a ninguém. Amam somente a si, amam se sentir amadas e desejadas.

Esse tipo de mulher a quem me referi, sabia com quem estava lidando. No passado ela tinha tido vários casos ao mesmo tempo e isso possivelmente era do seu conhecimento. Tratava todos com delicadeza, carinho, desejo. Tinha o poder de deixá-los apaixonados. Comportamento que é típico dos traidores.

Confirmada a infidelidade, veio o dilema. Como agir? Armar um barraco, gritar, agredi-la, chorar, expulsá-la de casa? Ou fingir que não sabe, guardar para si a humilhação e a dor e apenas dar indiretas, fazer comentários velados? Ter uma conversa civilizada, dizer que a ama mesmo assim e que esquecerá tudo se ela decidir ficar com ele? Ou apenas terminar, sem nem falar por que, já que ela sabe muito bem a razão?

Nenhuma dessas opções parece satisfatória. É como se ele estivesse numa estrada e de repente caíssem barreiras na frente e atrás do carro. Não dá para seguir nem para voltar. Se armar um barraco, vai perdê-la para sempre; Se fingir que não sabe, talvez somatize a negação, o sofrimento e fique doente, com insônia, enxaqueca ou algo pior. O ideal seria uma conversa verdadeira; Mas ele sabe que ela vai negar, dizer que ele é louca por não ver que ela o ama, que tem tesão, que além dele é só o trabalho, e no mais as amigas.

O fato é que ele ainda a ama, embora não agüente ser tratado como burro. Sente uma dor imensa, não para de pensar nela com o outro. Sente culpa: Será que isso aconteceu porque ele envelheceu ou se descuidou, será que já não é tão bonito e atraente, onde ele teria errado? O que estaria faltando para essa mulher, essa mulher tão insaciável?

Não é nada disso. Homens maravilhosos, e mulheres maravilhosas também foram traídos...
Sandra Bullock foi traída, Paula Burlamaqui traiu, Jennifer Aniston foi traída e Luana Piovani traiu, e estes são alguns dos milhares casos que existem espalhados pelo mundo!!

Como dissemos antes, trair, para algumas pessoas, é uma compulsão...

Se ele não consegue terminar a relação, talvez a solução menos dolorosa seja continuar nela mais um tempo - para ir, aos poucos, deixando que morra a imagem falsa que tinha dessa mulher; Para se conscientizar de que a mulher que ele amava não era ela, mas um reflexo dele mesmo. Assim, devagar, ele irá deixando de gostar dela e poderá se abrir para outros interesses, dedicar-se a si mesmo, encarar, enfim, a realidade. Resta-lhe o consolo de saber que não é só com ele que isso acontece, e que tudo acaba um dia, como uma flor que murcha, uma nuvem que passa, uma onda no mar. E que o mais importante é manter sua integridade, seu compromisso com a vida e saber que ela, sim, nunca traiu, apenas amou de verdade.