3 February 2011

ATO LXII (Muito prazer, sou Lilith...)

Muito prazer, sou Lilith...



Lilith, a primeira mulher de Adão...
Talvez não seja tão famosa quanto Eva. Talvez você nunca tenha ouvido falar de mim. Mas meio anjo, meio demônio, estou aqui desde o paraíso. Tudo bem, talvez você me conheça como serpente. Ou até mesmo a tentação...

Também fui criada por Deus, e dele ganhei o dom do livre arbítrio. Não nasci da costela de Adão, e sim do mesmo pó que o Criador utilizou para cria-lo.

Nunca me conformei em ficar por baixo. Nem em importância. Nem na hora do amor.
Por muito tempo fui discriminada, mas talvez tenha sido a pioneira das mulheres de hoje.
Talvez a história não me dê páginas de glória, e o censo populacional não realize a contagem de quantas são as minhas filhas por aí. Mas... Somos muitas. Diria que somos maioria.

Mulheres que não aceitam a história contada de forma a nos condicionar a seres inferiores, subjugados. Sexo frágil.
Nossos caminhos não são certos, ou errados, são apenas caminhos livres, cheios de encruzilhadas, onde optamos por ditar nossas regras, amar sem limites, nos sentirmos amadas. Não somos perfeitas. Somos humanas, pagando o preço por nossos caminhos tortos.

Nós, ''Liliths'' somos os demônios que habitam o imaginário de todos os homens que desejam e sonham com mulheres donas de si. E por isso mesmo, jamais dominadas. Seu julgamento não nos atinge. Muito menos seu olhar acusador.

Sabemos bem... que todo o homem finge desprezo, por aquilo que não pode possuir.


Lilith é referida na Cabala como a primeira mulher do bíblico Adão, sendo que em uma passagem (Patai81:455f) ela é acusada de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido.

No folclore popular hebreu medieval, ela é tida como a primeira esposa de Adão, que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, chegando depois a ser descrita como um demônio.

Ela é também associada a um demônio feminino da noite que se originou na antiga Mesopotâmia. Talvez dada a sua longa associação à noite, surge sem quaisquer precedentes a denominação ''screech owl'', ou seja, como coruja. Na Suméria e na Babilônia ela ao mesmo tempo que era cultuada era identificada com os demônios e espíritos malignos. Seu símbolo era a lua, pois assim como a lua ela seria uma deusa de fases boas e ruins. Alguns estudiosos assimilam ela a várias deusas da fertilidade, assim como deusas cruéis devido ao sincretismo com outras culturas.

E você é Lilith ou Eva??

#dica de literatura que recebi do amigo e colega Marcelo...
CONTOS JUDAICOS COM FANTASMAS E DEMÔNIOS, de Ana Maria Shua

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